Li ontem no Correio da Manhã que a maioria das pessoas que tem medo de andar de avião têm uma grande capacidade imaginativa, bem como um QI elevado. Eu sabia que isto ia muito além da neurose fóbica...
Ontem apercebi-me de que não se deve julgar nínguem pelos sítios que frequentam nem pelos livros que leram nem pelos filmes que viram; deve-se julgar pelos sítios que queriam frequentar, pelos livros que queriam ler e pelos filmes que queriam ver.
É que nem todos têm as mesmas oportunidades nas mesmas alturas. Fiquei triste por ter sido julgada. Mas agora já passou.
"Na Índia, o irmão do noivo atira com flores sobre o casal no fim da cerimónia para os proteger do mal." Sortudos! Só o irmão é que atira: e flores. Cá levamos com bagos de arroz projectados a alta velocidade e rezamos para que eles não se enfiem nos locais mais insólitos...
"Na Alemanha, a noiva transporta sal e pão no seu bolso para assegurar recompensa, o noivo transporta grãos de cereais, para dar saúde e sorte." Os vestidos de noiva na Alemanha têm bolsos?!
"Existe uma tradição que diz que a noiva não deve cozinhar o seu bolo de casamento." Esta até é de admirar!
"Para as noivas, coloquem um pouco de açúcar dentro das luvas, o açúcar adoçará a vossa união." É. Açucar nas luvas, sal e pão nos bolsos... depois é só abanarmo-nos um bocadinho e... tcharan... sai um docito qualquer!
"Os ingleses acreditam que se a noiva encontrar uma aranha no vestido de casamento, esta trará sorte ao casamento." Quê? Além de sal e pão e açucar ainda temos de encontrar aranhas???
"A tradição de usar damas de honor no casamento remonta ao tempo dos romanos. As testemunhas, ou damas de honor exigidas num casamento romano, protegiam a noiva, vestindo-se de maneira semelhante à noiva, enganado assim os maus espíritos, impedindo-os de reconhecerem a noiva." Pois hoje em dia é assim: livra-te de ires da cor da noiva! As atenções são para ela, e mais nada.
"Uma noiva sueca costuma colocar uma moeda de prata oferecida pelo seu pai e uma moeda de ouro oferecida pela sua mãe, em cada sapato, assegurando que ela nunca passará sem eles." Vejamos: misturando as tradições teríamos: sal e pão nos bolsos, açucar nas luvas, aranhas no vestido e moedas nos sapatos.
Além disto tudo, ainda temos de levar uma coisa emprestada, uma usada, uma nova e uma oferecida...
Na vida há três "sins". Três "sins" que mudam o nosso "título social": de desimpedida a namorada; de namorada a noiva e de noiva a esposa.
Já lá vão mais de oito anos desde o primeiro sim: o sim do namoro. Já lá vão oito meses desde o segundo: o sim do noivado. Agora – valha-me-Deus-minha-Nossa-Senhora - falta pouco mais de três meses para o terceiro sim: o do casamento.
Estávamos em 99 quando começámos. Começámos e continuámos durante algum tempo sem nos apercebermos que nunca nenhum tinha pedido o outro em namoro. Mas éramos namorados, sim. Apaixonados e carinhosos. E amigos, também. Ele tornou-se o meu confidente, mais do que qualquer outra amiga minha. Os altos e baixos aconteceram, como em qualquer relação que se preze. Tivémos a crise dos três meses, a dos três anos... Há alturas em que a crise é de três em três semanas... Mas tudo passa, porque nada é realmente grave - e geralmente a culpa é sempre minha! Como é fácil ser mulher....
O sim do namoro é um sim que se vai construindo. Passamos a ter uma cara-metade, que podemos beijar e acariciar as vezes que quisermos... conhecemos as virtudes e os defeitos, vamos aprendendo a lidar com eles. Cada um tem o seu ritmo. Criamos sonhos e imaginamos a vida a dois, dali a muitos anos. Como vai ser a nossa casa, como vai ser bom estarmos todas as noites juntos... cada minuto é aproveitado ao máximo, porque ao fim do dia cada um segue para o respectivo lar...
Os anos passam...
A casa fica pronta: o nosso cantinho de fim-de-semana. A vontade de tornar o cantinho de fim-de-semana em cantinho diário é cada vez maior. O canudo já está tirado. Já trabalhamos os dois. São poucas as razões que nos fazem hesitar em dar o passo seguinte.
E chega o dia do noivado. O segundo "sim": o quero casar contigo. E como a tradição já não é o que era - embora nós a sigamos a maioria das vezes -, o pedido foi feito a dois. Achei o anel no meio de um ramo de flores, pousado no chão e rodeado de velas. Foi a minha prenda de anos.
A partir deste dia, começa a contagem decrescente para o "grande dia", o dia em que vamos dizer o terceiro "sim".
Insueto Segunda-feira, Julho 02, 2007 |
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